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NOVAS ALTERAÇÕES (aqui)

Setembro de 2014: Novo Acordo. Problemas ortográficos:

                             Correções às Regras do AO de 1990. Evanildo Bechara

 

 

 

 

 

PENSAMENTOS ETERNOS

 

   Nesta página, sempre em formação, que não se destina a debate, pretendi colecionar pensamentos de eleitos da vida, como informação sempre disponível e especialmente dirigida aos meus numerosos filhos e netos. Excluí os eventos da vida destes eleitos da vida, que podem ser encontrados nos livros históricos especializados.

    O objetivo foi sobretudo comungar a emoção que se sente na perenidade de interesse social desses pensamentos, após muitos séculos. Por este motivo, além das ideias dos grandes religiosos desde Moisés a Maomé, concentrei-me em figuras imortais da Antiguidade. São notáveis algumas antecipações a conceitos que mais tarde foram considerados originais. O meu objetivo foi, também, prestar a minha homenagem sentida, de diletante (não sou um especialista), a todos que lutam pela necessidade de prestigiar a filosofia, essa música do espírito (desde crianças que os `porquês´ nos perseguem; ora «A função principal da filosofia é libertar o homem.» Epicuro).

    Os eleitos da vida de quem inicialmente tenciono colher os pensamentos (sempre reduzidos e, para mim, mais significativos como ciência perene de vida) são, por ordem cronológica: Moisés, Zaratustra, Confúcio, Buda, Heraclito, Protágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Jesus, Maomé, Bhaá'u'Lláh. No decurso do estudo, poderei, porém, considerar outros eleitos que também me impressionem.

    No fim deste resumo estão as considerações explicativas sobre os critérios usados e a bibliografia que será utilizada.

    Na contestação feita pelos materialistas aos espiritualistas sobre a existência da alma, uma coisa é insofismável: nos pensamentos eternos seguintes, ficou-nos a alma eterna dos seus autores.

 

 

Moisés (1200 anos  a.C.):

    Deus, se parece ter limitações humanas e arbitrariedades, é generoso com o estrangeiro, com a viúva, o órfão e o pobre. • Deus deseja que os filhos da Terra tenham a sabedoria na mente, com paz no coração. • Este Deus, embora se arrogue ser de todos os povos, estabelece a posição excecional do povo judaico (que pessoalmente interpreto no sentido de que a referência se deve considerar em relação ao povo que Moisés libertou do cativeiro no Egito e não `exclusivamente ao povo hebreu dos nossos dias´).

   Em primeiro lugar, devemos amar a Deus sobre todas as coisas e não O invocar em vão. Deve-se depois: (3) de sete em sete dias, descansar um dia; (4) honrar pai e mãe; (5) não matar; (6) não cometer adultério (não ter relações extraconjugais); (7) não furtar; (8) não levantar falsos testemunhos; (9) não desejar a mulher que seja `propriedade (...)´ de outro homem; (10) não cobiçar as coisas alheias.

    • A Lei não implica a obrigação de se ser parvo, mas de se ser sagaz . • Quem com ferro fere, com ferro será ferido, implacavelmente, olho por olho, dente por dente (regra de bronze, segundo Carl Sagan, pena de talião, por exemplo tipicamente usada presentemente pelos povos em luta na Palestina).

    Não faças ao próximo aquilo que não queres que te façam a ti (regra de prata, segundo Sagan; nas palavras de Hillel: Eis toda a Tora: o resto é apenas o seu comentário .....).

    NOTA: Excluindo a teologia e a obrigação bíblica do descanso, as leis mosaicas, com cerca de 3200 anos, são ainda espantosamente universais. Nalgumas prescrições foram depois copiadas ou reinventadas por muitos dos pensadores que se seguem. Moisés é o inventor do monoteísmo, no seguimento do Faraó Icunáton (adorador do Sol) e é o profeta inicial das três religiões dominantes no Ocidente, todas originárias do Próximo Oriente: judaísmo, cristianismo e islamismo; religiões portanto como mesmo Deus-Pai).

    Nota-se em Moisés o facto de as suas recomendações não implicarem a obrigação de se ser parvo e a de aceitarem a pena de talião. `Quem forma o seus filhos para se sacrificarem sempre pelos outros´ corre o risco de fazer deles unicamente cordeiros de sacrifício. Segundo Sagan, até o chimpanzé aplica a pena de talião (mas sempre predisposto para a paz, o que tende a quebrar o ciclo fechado das vinganças).

 

 

 

Zaratustra (um zoroastro, 1000 anos anos a.C.?):

    O Inferno não é eterno, pois, no fim, todos acabarão por ser salvos (heresia segundo algumas igrejas; critério mais de acordo com um Deus justo e bondoso que não sentencia, a uma pena eterna, uma vida curta na Terra). O homem justo edifica a vida em três vertentes: Bons Pensamentos: pensar com justiça, com sabedoria e com solidariedade (pelos vistos, um conceito com 3000 anos; mas a diferença em relação aos dias de hoje é que Zaratustra recomendava esta solidariedade em pensamento, ao passo que hoje a solidariedade é duramente exigida, obrigando a impostos exagerados [presentemente no caso de Portugal: IVA mais IRC cerca cinquenta por cento do vencimento dum quadro médio], e já não se pode chamar uma virtude mental: há quem a considere um argumento para espoliar a classe média, numa discriminação negativa, extremamente injusta quando são sempre os mesmos a sustentar a solidariedade [embora os políticos que fazem dela bandeira, obrigando sem muitas vezes se considerarem obrigados, deixem os bancos e algumas empresas com lucros escandalosos...]), boas palavras (não mentir [a mentira foi uma extraordinária invenção do pensamento humano porque permite o faz-de-conta, mas neste caso não há dolo; é a mentira com intenção de enganar que é desagregadora; ora em muitos destes eleitos da vida a mentira foi severamente condenada, como se pode verificar), não ser passivo com a injustiça, e, pelo contrário, interceder pelo pobre e pelo oprimido [estas últimas, são também palavras do reportório da propaganda política do nosso tempo...: boas palavras...]), boas ações (condena-se: orgulho, indolência, cobiça, luxúria, adultério, aborto (parece que seria defensor do `não´, no nosso referendo...; ver posição moderada do Autor em Crónica > Extratos de Livros), calúnia, cobrar juros a alguém da mesma religião, acumular riqueza, etc.). Devemos ser soldados em luta contra a violência, a crueldade e os espoliadores dos homens (na conclusão deste período, antecipa Marx, na denúncia da exploração do homem pelo homem... [Marx lembrado agora neste tema, justamente e sem preconceitos, generosamente por Bento XVI]; será que de aqui a mais 3000 anos aparecerá alguém a dizer a mesma coisa?).

 

 

 

Siddhartha (ou Gautama Buda: o iluminado, 563 anos a.C.):

    O sofrimento provém do desejo de se ser ou ter alguma coisa incorreta ou de desejos incorretos; e deve-se conhecer a fonte do sofrimento, que normalmente reside na avidez, na cobiça, na sede do prazer sensual, na sede de realização, na sede do poder, na embriaguez do triunfo, etc. Quando cessa este desejo, cessa, portanto, o sofrimento. Nesta senda, conseguir-se-á a extinção de todo o desejo, isto é, a calma, o saber, a iluminação, a paz do Nirvana (que não é uma aniquilação do eu; não é nada deste mundo nem do outro; não é uma união com Deus; mas simplesmente o fim do sofrimento). Nos maços de tabaco é obrigatório escrever-se que o tabaco mata. Nos anúncios que promovem o desejo devia estar um resumo destas sábias palavras de Buda.

    O ódio não elimina o ódio (contraria a clássica pena de Talião, de Moisés); só o amor o destrói (antecipa o que depois disse Jesus, na sua frase: «Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda). Não há paz nem felicidade a não ser que o homem se entregue a algo mais alto do que ele próprio (é o espírito de missão em todos os tempos). Os homens devem retirar as inspirações egoístas das suas instituições, pois todos os homens nasceram iguais (antecipou o que depois disse Jesus Cristo). Um homem é nobre, se o seu procedimento for nobre (contraria os critérios de nobreza: de sangue, por direito divino ou pelo `status´social, artificialmente defendido em todos os tempos pelos patrícios, aristocratas, intelectuais, poderosos). Esta atitude deve ser seguida sem extremismos, pois não há nada infalível, …nem esta minha religião (afirmação, esta, que não fazem todas as religiões...). O dogmatismo só traz discórdia, não paz; e, por isso, deve haver respeito por todas raças e religiões (a quem não se convence, não se condena) (é o ecumenismo dos dias de hoje). Concentra a mente no momento presente, não no passado nem no futuro (antecipa o que disse Epicuro e a frase de Jesus: «Bem basta a cada dia o seu trabalho»).

    Não quero cerimónias, orações, sacerdotes, oferendas ou alusão a Deus, ou a entidades sobrenaturais (mas fizeram-lhe templos faustosos depois de morto...). Não faço ofertas de Céus como prémio, ou ameaço com Infernos. É que a nossa preocupação não deve ser a existência futura, mas a atual (heresia segundo algumas igrejas).

NOTA: Notam-se muitas semelhanças entre alguns pensamentos de Buda e os de Jesus cerca de 500 anos depois. Carlos António Fragoso Guimarães, na sua página na Internet, cita, entre outros, mais o seguinte:

BUDA: É mais fácil ver os erros dos outros que os próprios (JESUS: Porque reparas no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?)

 

 

 

Confúcio (551 anos a.C.):

    Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente; de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro; vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido... (segue Buda e antecipa Jesus). Consegue-se êxito em todos os nossos negócios e empresas, se planearmos tudo previamente e com muita antecedência   (é uma das regras de ação atuais: planeamento prévio pormenorizado de tudo, controlo permanente, correção atempada para repor o que estava planeado). Nunca esperes muito dos outros, mas exige sempre muito de ti.

    Algumas frases retiradas da Internet: Conta-me e eu vou esquecer, mostra-me e eu vou lembrar. Esquece as injúrias mas jamais os benefícios. A maior glória não é ficar de pé, mas levantar-se de cada vez que se cai. Nem todos os homens podem ser ilustres, mas todos podem ser bons. Não corrigir falhas é o mesmo que cometer novos erros. Só os grandes sábios e os ignorantes são imutáveis. De nada vale tentar ajudar aqueles que não se ajudam a si próprios. Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha. Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar toda a vida (antecipou Platão). Muito sabe quem conhece a própria ignorância; ou: `O saber´ é saber que nada se sabe (antecipou o que veio a dizer Sócrates...). Nunca faças uma aposta: se sabes que vais ganhar, és um patife; se não sabes, és um tolo (antecipou o que se passa presentemente no jogo da bolsa: os que não sabem são os tolos que perdem para os que sabem). Trocar duas coisas não as aumenta, mas trocar duas ideias duplica-as. Até que o Sol brilhe, acendamos uma vela na escuridão. Algum dinheiro evita preocupações, muito atrai-as (há premiados de milhões que também dizem isto...). Todas as coisas fluem sem cessar, como um rio, sem descanso, noite e dia (antecipou o que veio a dizer Heraclito, da mesma época, ou foi coautor neste pensamento). O espírito nunca vai tão longe como o coração. O bom proceder consiste em fazer aos outros aquilo que desejamos que nos façam (há quem atribua este pensamento a Confúcio [regra de ouro, segundo Sagan, que a considera original em Jesus]; mas, no portal da Wikiquote, o que se lê, como pensamento de Confúcio, é a regra de prata, de Moisés: Não faças aos outros o que não queres que te façam).

 

 

 

Heraclito (550 anos a.C.)

    Não nos podemos banhar duas vezes no mesmo rio (a água flui constantemente; quando não se aproveita uma oportunidade, pode não haver outra igual). Não devemos dizer das coisas que são, mas que se tornam. Há uma lei geral da mudança, regulando o devir (as pessoas excessivamente conservadoras, que resistem muito à mudança, correm o risco de extinção, como aconteceu com os dinossauros). Na mudança, existe uma harmonia nos opostos, sem guerra, que os concilia, como num ciclo fechado, versões da mesma coisa: quente/frio, dia/noite, (positivo/negativo, energia/matéria, expansão/compressão do Universo?). Deus é esta alternância.

NOTA: Em Wikiquote, na Internet, leem-se, entre outros, mais os seguintes pensamentos, atribuídos a Heraclito: É preciso que o povo lute pela Lei, tal como pelas muralhas (uma Justiça perfeita é um dos pilares da Sociedade Perfeita; a lei justa é sagrada; os fora-da-lei [até no incumprimento dum simples código da estrada] desagregam a sociedade). Não conjeturemos à toa sobre as coisas supremas (é a denúncia da conjetura inconsistente que se converte em dogma).

 

 

 

Protágoras (486 anos a.C.):

    O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são (segundo Pietro Emanuel, Schiller considerou esta fórmula como a descoberta mais importante da história da Filosofia). Não existe uma verdade igual para todos. As leis, as regras, a cultura tudo deve ser definido para um conjunto de pessoas; o que vale para um lugar pode não valer para outro.

NOTAS:

    Numa ditadura, estes pensamentos notáveis são subversivos; numa religião, são heréticos quando contrariam o dogma geral. Ora numa democracia, que já se disse ser o fim da história, estes pensamentos são ignorados pela ditadura das maiorias. Há leis gerais para um país que podem ser uma enorme violência para parte da população, e tanto maior quanto menor for a maioria que a impõe. A ideia democrática de que `basta um voto para obrigar toda uma oposição´ é um princípio desagregador da união. Creio que Protágoras não a aprovaria.

    A democracia nasceu com estes impressionantes pensadores da Antiguidade (590 anos a.C. com Solon), mas está ainda hoje bem longe de ser o fim da história... Com a Independência Americana e depois com a Revolução Francesa foi alicerçada tendo como um dos princípios a liberdade; mas esta liberdade individual foi, por um lado, na realidade cerceada pela ditadura da maioria, criada e manobrada pelos possidentes e, por outro lado, feita à custa dos valores tradicionais centralizados na dignidade, que interessam muito pouco à finança, sempre preocupada com o lucro e não com as pessoas (ver "niilismo ético" em Pensamento de Ângelo da novela «O Exemplo Vivo Duma Alma Solta do Corpo» e em Crónica > Extratos de livros).

    Os médicos, esses anjos da vida como digo noutro lugar, já interiorizaram Protágoras no seu princípio de que não há doenças mas doentes. Semelhantemente, seria bom que em todas as convenções, leis decisões tivéssemos presente o que «o homem deve ser sempre a medida de todas as coisas». Aceito, porém, que as religiões, nos seus dogmas, possam repudiar esta ideia, no pressuposto de que Deus se sobrepõe a tudo. Quanto a esta ressalva, em relação à frase lapidar de Protágoras, poder-se-ia argumentar com esta outra frase considerada de inspiração divina pelos cristãos: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus...», mas Protágoras era mais radical, pois duvidava da existência de deuses (no que foi, naturalmente, condenado pelas corporações religiosas do seu tempo...).

    Sobre cada questão é possível apresentar uma tese, mas também uma antítese (Este pensamento faz lembrar o jogo de palavras entre contendores, por exemplo no contraditório dos tribunais, ou na disputa política no Parlamento: às vezes com teses opostas e que até parece estarem ambas certas...; o que é uma consequência de as línguas permitirem os cambiantes de incerteza intencionalmente usados [as meias verdades, as omissões] com que se faz a argumentação). É preciso dizer a palavra certa no momento certo (o que Protágoras parece estar a recomendar, aqui, não são só a as palavras adequadas e que traduzam uma ideia clara, mas também as que são honestas...) Pode-se tornar forte um discurso fraco (depende da convicção própria do falante ou do entusiasmo com que argumenta). Todos trazem consigo uma reserva de equidade (é, em parte, o `inconsciente coletivo´ designado pelo Autor).

    Neste resumo compreende-se a opinião de Schiller sobre Protágoras, alguém que ficou esquecido durante muitos séculos. Talvez porque a sua perturbadora `teoria da relatividade do pensamento´ (sobre a moral, as leis, as regras, as próprias palavras) fosse completamente inaceitável para as certezas absolutas que dominaram o pensamento durante muitos séculos. Protágoras é bem uma das figuras gigantescas da antiguidade. 

 

 

 

Sócrates (para alguns, o símbolo típico do filósofo, 470 anos a.C.):

    Conhece-te a ti mesmo. Há apenas uma coisa que sei: é que nada sei. Como pode a minha estupidez competir com tamanha sabedoria? Sábio é quem conhece os limites da própria ignorância. Não consiste dificuldade em fugir à morte, mas à culpa; fui alcançado pela morte e os meus acusadores pela iniquidade... • Não é a acumular riquezas que se consegue a virtude, mas do aperfeiçoamento da alma é que nascem as riquezas.

    Outros pensamentos registados na Internet:   Creio que tenho prova suficiente de que falo a verdade: a pobreza. • Não te contentes em admirar as pessoas bondosas. Imita-as. • É costume de um tolo, quando erra, queixar-se dos outros. É costume de um sábio queixar-se de si mesmo. • A beleza é um reino muito pequeno. É preciso que os homens bons respeitem as leis más, para que que os homens maus respeitem as leis boas.

NOTA: Tradição oral, via Xenofonte e Platão , pois consta que Sócrates odiava a escrita e não deixou nada escrito.

 

  

Platão (na generalidade considerado o maior de todos os filósofos, 427 anos a.C.):

     • A principal virtude dos magistrados é a prudência; dos guerreiros, a coragem; dos indivíduos a temperança (resistir aos desejos, virtude extremamente importante nesta civilização em que o consumo é fomentado pela publicidade paga pelos produtores e facilitado pelos propaganda insidiosa dos bancos). A justiça vem como resultado destas três virtudes, além do respeito pelos direitos alheios. Um espírito livre não deve aprender nada como escravo (repete Confúcio). As coisas são meramente cópias das ideias que temos delas, como as sombras são geradas pelos corpos. Existe, no entanto, em nós uma tendência inata para juntar essas ideias (é também o inconsciente coletivo do Autor). Numa república perfeita, os governantes deveriam ser filósofos (e os filósofos governantes...).

    Platão, na sua «Republica», criou a mais famosa utopia da história humana, à qual muitos dos utópicos foram depois buscar inspiração. Era, porém, uma utopia datada, só válida para aquele tempo. O pensamento de que há ideias eternas, independentemente das coisas, veio mais tarde a ser contrariado pelo método científico: as coisas é que são concretas, não as ideias (podia-se ter a ideia de que duas esferas de igual diâmetro e peso diferente caíam com velocidades diferentes, mas Galileu, na famosa experiência da Torre de Pisa, provou que a ideia estava errada). Pode-se desejar que os governantes sejam sages, mas têm de ser mais do que isso nos tempos modernos (bons conhecimentos de gestão, finanças, economia; bom domínio de línguas e da situação internacional na Aldeia Global; até conhecimentos nas artes da guerra, para bem dirigir a defesa). Para o Autor, além de tudo isto o governante (como se pode ler em Crónica > Extratos de respostas em Ciberdúvidas ) é ainda o chefe amado na antevisão, na integridade, que consegue a ressonância multiplicativa no empenhamento; e que dá o exemplo a seguir.

 

 

 

Aristóteles  (384 anos a.C.):

     A virtude deverá tender precisamente para o justo meio. O que é natural é o justo meio entre o excessivo e o insuficiente (não ultrapassar o dever, nem o cumprir insuficientemente [para o Autor, esta atitude permanente impede a superação]).

    O melhor Governo é o fundado na classe média, pois às vezes os ricos abusam do seu poder (Governo dos ricos, no extremo foi a plutocracia do Estado Novo, mas é também o domínio atual da finança que se serve da liberdade da democracia para desviar a riqueza para seu proveito) e os pobres são incapazes (Governo dos pobres, no extremo, foi a ditadura do proletariado, ou é o alinhar por baixo na discriminação negativa sobre os mais capazes). No nosso país, a influência da classe média verifica-se nas votações do "centrão", que faz alternar as maiorias, em busca duma solução para as tremendas dificuldades que sente para sustentar o seu nível de vida. A classe média, aliciada com empréstimos que foram facilitados pela finança, e no fim do mês se vê agora consumida para fazer esticar vencimentos que cada vez cobrem menos os encargos, os jovens à procura de emprego sem o conseguirem, os muitos milhares que se viram sem emprego com a austeridade ...estão todos nesta momento "á beira dum ataque de nervos".

  Nenhum homem sensato suporta um Governo injusto, se puder derrubá-lo (com quase 1400 anos, este pensamento eterno é um bom aviso para todos os regimes que se consideram absolutamente seguros... [estavam seguros os aristocratas antes da Revolução Francesa, e esta guilhotinou grande parte; estavam seguros os príncipes russos antes da Revolução de Outubro na Rússia, e esta até matou a família inteira do Czar]; os excessos correm o risco de excessos).

 O Estado existe para o homem e não o homem para o Estado (as classes exploradas, em todos os tempos, concluirão sempre que esta frase não está a ser  aplicada à sua vivência, na subordinação excessiva a que o Estado o submete; frase que antecipa a famosa fórmula de Jesus Cristo sobre o sábado [havia o dever de respeitar o descanso levado tão insensatamente à letra, que levantou censuras dos fariseus por Jesus ter curado um paralítico ao sábado...]).

  

 

Epicuro (341 anos a.C.)

    As nossas preocupações derivam de quatro causas: o medo da morte, o medo dos deuses, o medo da dor, o medo do futuro. A morte não deve meter medo, porque quando nós existimos ela não existe, e quando ela existe já nós não existimos... Os deuses têm mais em que se preocupar...  A dor é sempre suportável enquanto não fizer perder os sentidos.

    Jamais aconteceu que um filósofo agrade a um político nem que um político agrade a um filósofo (parece opor-se ao critério de Platão para a escolha dos governantes). A função principal da filosofia é libertar o homem (dos seus instantes porquês).

    Os grandes navegadores devem a sua fama aos temporais no mar. Nascemos uma única vez e não nasceremos mais para toda a eternidade  (levanta o problema de o aborto impedir de nascer uma criatura que nunca mais se repetirá igual).

    Não é importante realizar todos os desejos, mas só os necessários. Para ser feliz, o homem precisa de três coisas: liberdade, amizade e tempo para meditar.  A maior vantagem do ócio é a ausência de preocupações. A natureza conduz-nos a uma vida simples. O máximo bem é o prazer (que não é hedonismo), mas consiste na saúde. É possível não ser nem rico nem pobre, estar rodeado de amigos sinceros e compreender que a nossa felicidade depende de nós próprios. A amizade é um dos bens da vida.

 

 

Jehoxuá (Jeová é Salvador, Jesus em grego). Moxiá (Cristo: o ungido) .

    Não dos mortos, mas dos vivos é que Ele é Deus (Mt 22, 32: contraria a doutrina religiosa de que só é verdadeiramente importante a vida depois da morte) . O Céu e a terra passarão, mas as Minhas palavras não passarão (já têm mais de 20 séculos...).

    Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados...

    Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo. O trabalhador merece o seu sustento. Quem receber a um menino em meu nome, é a Mim que recebe.

     O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado (repete Aristóteles). Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

    Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu pensamento.

    Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, desprezais o mais importante da Lei: A justiça, a misericórdia e a fidelidade. Sois semelhantes a sepulcros caiados, formosos por foraNão imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem. Tudo o que fazem é com o fim de se tornarem notados. Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes (aplica-se a alguns políticos ainda hoje).

    Não julgueis para não serdes julgados. Porque reparas no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Perguntais se o vosso irmão vos ofender quantas vezes haveis de perdoar? Eu digo que, não só até sete vezes, mas setenta vezes sete (a expressão era equivalente a sempre). Com o teu adversário mostra-te conciliador.   Vós sois todos irmãos (lembra Buda). Nem permitais que vos tratem por doutores (não aplicável ainda em todas as comunidades...).

   Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações (Lembra Buda). Bem basta a cada dia o seu trabalho.

   Ouviste o que foi dito: Olho por olho e dente por dente (princípio de Moisés). Eu digo-vos: se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda.

    Faz ao teu semelhante o que desejas que ele te faça (regra de ouro, citada por Sagan como sendo original em Jesus: a iniciativa da solidariedade, sem que ela seja solicitada; diferente da atitude passiva de não fazer aquilo que não queremos que nos façam). Primeiro, amarás a Deus com todo o teu coração; segundo, amarás ao próximo como a ti mesmo (preceito reclamado também pela fé judaica: «..... Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Iavé ....» [Lv 19 18]) .

NOTAS:

    São frequentes várias críticas à religião cristã. No caso particular da católica, criticam-se os abusos com as bulas, que deram origem à Reforma Protestante, e, posteriormente, as perseguições da Inquisição, com a Contra-Reforma. Diz-se que Jesus certamente não aprovaria a avidez material dos seguidores do Seu Evangelho, a ostensiva e escandalosa riqueza da Sua Igreja, e, em particular, tanta crueldade feita em Seu nome, com as confissões forçadas por meio de suplícios e com os autos-de-fé. Há de facto completa impossibilidade em associar algumas das doces palavras de Cristo ….. aos crimes feitos pela cristandade.

    Só que os críticos esquecem:

    Na época, tomavam-se o Antigo e o Novo Testamento à letra. Era, por exemplo, uma heresia pensar-se que o Antigo Testamento pudesse, em parte, não passar de tradição verbal e da mera história de um povo. Quando nela se dizia que Deus tinha criado o mundo e aí tinha posto o homem como o conhecemos, era assim mesmo que se pensava que seria. A justificação do mal no mundo, visto um Deus bondoso por definição não poder trazer nenhum mal, era apresentada na época, duma forma indiscutível, como obra de Satanás e com o seu Inferno (aliás inventado por Zaratustra e não pelos judeus). As bruxarias, os desvios da `orientação divina´ estabelecida dogmaticamente pelos que tinham o direito exclusivo de interpretar a Bíblia, eram considerados obras do Demónio, e quem queimasse um relapso estava a justamente a queimar alguém possuído pelo diabo, devolvendo-se o demónio ao seu meio das chamas eternas.

    Por outro lado, é sabido que as forças políticas usaram os poderes confessionais absolutos do Santo Ofício para eliminarem inimigos políticos ou se apossarem dos seus bens.  

   Compreende-se, assim, que as ideias de Giordanno Bruno (por isso queimado) ou de Galileu (que foi obrigado a desdizer-se) tenham sido inaceitáveis para uma mentalidade cristã geral que punha a Terra (todo o mundo na altura) e o homem no centro das preocupações de Deus. Compreende-se que, ainda há menos de duzentos anos, as conclusões de Darwin tenham sido consideradas completamente absurdas até pelos estudiosos da ciência na altura, tanta era a fixidez num Deus antropológico só preocupado com o que se passava neste Planeta e na mente da espécie...

    Ora, presentemente, sabe-se que a Terra é um grão de nada na imensidão dum Cosmo, onde até se aventa a probabilidade quase certa de haver mais planetas com vida, o que reduz o homem a sua verdadeira insignificância no Universo desse Deus; que o céu acima das nossas cabeças não passa do azul da ténue atmosfera que rodeia a Terra. Sabe-se seguramente, pelo estudo dos fósseis da espécie, que o homem é o resultado duma lenta evolução na vida. Sabe-se que não é possível alterar as leis da Natureza; que um Deus, mesmo omnipotente, não pode anular as leis físicas, como por exemplo a da gravidade ou as da termodinâmica que Ele próprio terá concebido para a criação do Universo. Por tudo isto, as determinações dogmáticas das igrejas cristãs são hoje mais prudentes. Digamos que evoluíram também com o melhor conhecimento da obra de Deus. São por isso agora sensatas e hoje incapazes de repetir as enormidades de que as acusam. O que fizeram deve, portanto, ser avaliado à luz do seu tempo e não dos nossos dias e avaliadas pelo conforto espiritual, experiência milenar  e ajuda caridosa que concederem.

    Esta conclusão não evita que, em consequência de ainda alguns excessos e ignorâncias das hierarquias cristãs, exista hoje uma dúvida generalizada sobre todos os dogmas com base em conjeturas. Este efeito estende-se por simpatia às recomendações do doce Jesus, espantosas de humanidade e sabedoria, e que constituíram nos tempos a seguir à sua morte uma revolução enorme no pensamento social: Uma linda utopia do Reino dos Céus na Terra, na qual os elos duma ligação de amor nos levaria a fazer ao próximo o que gostaríamos que ele nos fizesse, obtendo-se assim uma corrente de elos desse amor em todas as direções e unindo a humanidade, de irmãos na espécie.

    Claro que continuamos sendo semiprimitivos, após este instante de 10 000 anos de civilização, em 4 milhões de existência do hominídeo. A utopia continua difícil de realizar. Mas resistindo tantos séculos como um horizonte de esperança, não custa aceitar que as recomendações de Cristo se projetarão sempre no futuro como um facho luminoso de encantamento.

     Na religião cristã, o Salvador divinizado foi instituído na imagem humana. As outras religiões do Livro continuam em busca do seu Messias. 

 

 

Kutam (Maomé: o Aclamado, ou o Enviado)

    A religião é leve porque o homem é fraco. Que te parece se o homem trata a verdade com mentira, e lhe volta as costas? Não saberá ele que Deus o vê? Fazei preces; dai aos pobres o que lhes é devido. Deus prometeu o perdão e imensa recompensa a todos aqueles que creem e fazem boas obras. Praticai o bem. Vede: Deus ama aquele que faz o bem (há alguma religião que repudie estas belas palavras?).

    Não devoreis os vossos bens por vaidade, entre vós mesmos, nem procureis com eles procurar o favor dos juízes com o propósito consciente e maldoso de vos apropriardes de uma parte que seja da propriedade dos outros (então, há cerca de 1500 anos, os juízes podiam comprar-se? que justiça era esta?).

    E esses que honram os contratos que celebram; que são pacientes nas suas  tribulações, na adversidade e em tempos difíceis, são os sinceros: os que temem a Deus.  Impondes uma conduta impecável aos homens, enquanto vos esqueceis de praticar o bem! E ledes vós as escrituras! Acaso sois insensatos?

    Lutai como Deus manda contra esses que vos combatem, mas não comeceis as hostilidades. Vede: Deus não ama os agressores (onde está o terrorismo nestas palavras?). Mas se desistirem, então atendei: Deus perdoa e é Misericordioso (não é um Deus beduíno severo, mas um Deus bondoso, como os cristãos defendem para o mesmo Deus-Pai).

    O Messias, Jesus, filho de Maria [uma virgem purificada acima de todas as mulheres] (afinal, cristãos e muçulmanos até podem ser irmãos no culto Mariano e não admira que muitos muçulmanos queiram também associar-se ao culto em Fátima, tanto mais que o nome da terra até é muçulmano...) Jesus era somente um mensageiro de Deus, o Seu Verbo — que Ele fez descer sobre Maria — e o Seu Espírito. Mas Deus levou Jesus para Si! Deus é Todo-Poderoso e Sábio (sempre o mesmo: também dos cristãos e dos hebreus).

    Não confundais o que é verdadeiro com a mentira; não há sabedoria que esconda a verdade. Esses que não respeitam e quebram o pacto com Deus, que violam as suas leis, se entregam à corrupção e praticam o mal na Terra, pertencem ao número dos réprobos.

    As vossas mulheres são, para vós, um campo que deveis cultivar ….. , atendei que Deus perdoa e é clemente.  E àqueles que acusarem uma mulher honrada, sem apresentarem quatro testemunhas, castigai-os com oitenta varadas. O adúltero e a adúltera: castigai-os com severidade, a cada um dos dois com um cento de varadas (aqui depreende-se que o homem que desvia a mulher leva as mesmas varadas...). Mas se eles se corrigirem, então perdoai-lhes. Olhai! Deus é sempre Indulgente e Misericordioso.

    Nós cremos em Deus; naquilo que nos foi revelado, naquilo que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Jacob e às tribos, no que foi recebido por Moisés e Jesus (onde está o ódio aos Cristãos nestas palavras?) e, bem assim, em tudo o que os profetas receberam do Senhor.

 NOTA:

    Além das obras de caráter geral, indicadas abaixo, no estudo das religiões, o meu livro de consulta base para este resumo sobre o Profeta Maomé, livre na ordem dos temas, foram os cinco primeiros capítulos do livro «Islamismo», de John Alden Williams, da coleção publicada pela Verbo: «As Grandes Religiões do Mundo», obra na qual se faz a ressalva de que a grande beleza do Alcorão só pode ser apreendida no original, em árabe.

    A admiração que nos fica pelas palavras do Livro Sagrado não impede, porém o seguinte comentário:

    Num artigo da autoria de Daveed Gartenstein-Ross, publicado nas "Seleções Reeader's Digest" em Junho de 2007, com o título "Fé extremista", lê-se que no islão radical se prescreve a necessidade de subjugar as mulheres (um estranho nem a mão lhes pode apertar num cumprimento) e que quem abandona a fé muçulmana e não se arrepende e regressa a ela «será morto como infiel e apóstata». Ora não se encontram tais recomendações nas palavras de Cristo, que até à adúltera perdoou e que disse: «Vós sois todos irmãos» . Presentemente não há nada na cristandade semelhante a estas práticas muçulmanas, como o que se diz ser habitual ainda no radicalismo existente no Islão. Em especial, a condenação à morte por apostasia ou por blasfémia, justifica a dificuldade verificada, de um muçulmano abraçar outra fé ou comentar a sua livremente, quando se sente insatisfeito. A pena máxima presentemente na religião católica é a excomunhão (claro que não podemos esquecer que no obscurantismo já foi a tortura e a fogueira...). Além disso, os tempos em que se subjugavam por lei as mulheres na cristandade já lá vão, e, presentemente, e é inconcebível a lapidação da adúltera, prática ainda aceite no extremismo islamita, segundo o que se tem conhecido na comunicação social. A conclusão que se tira é que embora a grande beleza do Alcorão, mantido inalterado praticamente após a morte do Profeta, há práticas islâmicas já desajustadas para o tempos presentes (a cristandade está mais adaptada, embora tenha por outro lado, perdido valores). Ora parece que este conservadorismo permite más interpretações aos radicais, àqueles que não fomentam a tolerância e a paz que se depreende das inspiradas palavras de Maomé acima escritas: «Deus não ama os agressores. A religião é leve porque o homem é fraco. Deus perdoa e é Misericordioso. As vossas mulheres são, para vós, um campo que deveis cultivar».

    Por outro lado, uma das mais severas críticas que se fazem ao radicalismo islâmico é o sacrifício indiscriminado de inocentes (e o cultivo enganador com promessas aos suicidas; mas, no caso de sacrifício de inocentes, os cristãos não estão muito à vontade quando lembramos os bombardeamentos das cidades, na anterior Grande Guerra, ou com o que foi feito em Hiroxima e Nagasáqui. Entre `o bombista que previne com antecedência para que só haja estragos materiais, os que lamentam as perdas colaterais de civis numa conflagração´, e entre `aqueles que no extremo buscam deliberadamente o sacrifício de inocentes´, há uma gradação no terrorismo. Ora temos também de aceitar que, mesmo na máxima gradação, Hiroxima e Nagasáqui são ainda muito mais graves que o bárbaro onze de Setembro..     

    Finalmente, embora se for de formação cristã, pode-se subscrever muito do que no resumo acima se retrata sobre os pensamentos de Maomé. A chamada guerra de religiões ou de civilizações pode ser uma designação enganadora com que se encobrem interesses territoriais, económicos, de respeito por convenções sociais e, também muito, de conservação do poder das hierarquias religiosas.    

 

 

 

Bahá’u’Lláh (a Glória de Deus, 1817)

   Deve haver igualdade, educação universal, eliminação da pobreza. A Terra é um só país, e os seres humanos seus cidadãos. Há um só Deus para todos os humanos e uma só religião divina para todos os tempos, renovada por meio de variados manifestantes (como, por exemplo, Moisés, Cristo, Maomé).

    Deve-se procurar livre e independentemente a verdade, sem preconceitos de qualquer natureza, harmonizando a religião com a ciência e a razão. Para unir o mundo, deve haver um idioma universal auxiliar (o esperanto?). O objetivo final é o estabelecimento de um caminho para a Paz Universal.

NOTAS:

    Esta religião pretende ser "a religião universal da Tolerância".

    Em Israel estão vastas edificações desta corrente religiosa, expulsa de muitos países. A badalada intolerância religiosa dos hebreus (que aceitam árabes no seu Parlamento) é aqui também desmentida pela sua corrente moderada, maioritária.

    Esta religião, de Bahá’u’Lláh, aponta para o futuro (Já S. Paulo, numa das suas epístolas dizia que gregos e judeus eram todos o mesmo povo de Deus). A luta sangrenta atual entre hebreus e palestinianos, entre Hamas e Fatah, entre xiitas e sunitas aponta para o passado, como foi a cruel guerra entre católicos e protestantes. Seria bom que os povos do Livro (com o mesmo Deus-Pai) se entendessem, pois os muitos milhões maioritários de budistas, hindus, confucianistas, vão ter uma palavra decisiva na paz do mundo e podem cansar-se de ter vizinhos tão turbulentos na Aldeia.

     Vem a propósito desta religião citar que desde o século XVII a primeira regra maçónica (Masonic Landmarks) diz que «A Maçonaria ..... tem por fundamento tradicional a fé em Deus, Grande Arquiteto do Universo. Na sexta regra proíbe-se «no seu seio toda a discussão ou controvérsia política ou religiosa». Na nona, prescreve-se que os irmãos devem estar aptos «a reconhecer os limites do domínio do homem e o infinito poder do Eterno». Em resumo, a ideia de um Deus igual para toda a humanidade é bem mais antiga do que a religião de Bahá’u’Lláh. Nas suas práticas, grande simbolismo e crença em Deus, a maçonaria não difere muito de uma religião, a não ser no critério fundamental de que impõe a todos o respeito das opiniões e crenças quaisquer que elas sejam, diferentemente do que fazem as hierarquias religiosas, sempre muito ciosas dos seus dogmas, considerados sem discussão. Como para a confissão de Bahá’u’Lláh, a maçonaria poderia ser considerada, por seu lado "a instituição laica da Tolerância".

     O problema que, no entanto, desacredita muito a maçonaria é o seu secretismo, exoterismo e caráter sectário, talvez necessários na altura em que os seus membros eram perseguidos pelos poderes autoritários, mas agora apreendida em democracia como defesa de classe e influência no Poder.

   

 

PÁGINA EM FORMAÇÃO

Oportunamente estudo de pensamentos de mais outros eleitos da vida

 

Critérios gerais usados

 

   Na Europa, depois de Jesus, com alguns cambiantes, o pensamento filosófico foi influenciado pelo cristianismo platónico de S.to Agostinho e o cristianismo aristotélico de S. Tomás de Aquino. Giordano Bruno [1548] e Campanella (1568) assinalam na Europa um marco na insurreição do pensamento livre.

    Não se tratava só de `não´ haver liberdade de expressão, o pensamento era acorrentado na imposição de nem sequer imaginar impiedades, pois estava obrigado a confessá-las. Giordano Bruno foi queimado vivo, pena escolhida para obedecer à sentença onde se prescrevia que na sua morte não houvesse `efusão de sangue´... A coragem de Bruno lembra o sacrifício de Sócrates: Bruno obstinou-se em não se retractar das ideias, consideradas heréticas, de que "a Terra não era nada o centro do mundo e de que este era infinito" («Decerto será bem maior o vosso receio em decretar-me essa sentença que o meu em aceitá-la» `apud´ Michael White).  

    Deixarei nesta página para uma fase mais remota a recolha dos `pensamentos eternos´ na Europa depois de Giordano Bruno. Alguns são relativamente recentes e a sua perenidade histórica não é ainda segura, embora muitos continuem válidos passados vários anos. Destaco, porém, desde já os criadores de utopias (ver janela "Em busca da utopia", neste "sítio") e duas figuras gigantescas, pela ousadia das ideias novas:  Espinosa e Darwin.    

    Os trechos em itálico são excertos esparsos retirados do livro do Autor: «Os Deuses Vivos da Vida», onde, embora sempre em versão livre, os pensamentos e a vida (ali, sim) destes eleitos está com pormenor descrita no capítulo "Os sonhos de João" do livro. Mesmo no caso dos grandes religiosos, tive especialmente a preocupação de exprimir a minha admiração por conceitos com interesse social, embora os teológicos sejam frequentemente considerados mais importantes para as hierarquias religiosas. Sublinho que, no caso de preceitos das Figuras religiosas consideradas, nunca tive a intenção de deformar as Suas ideias e de fazer Deles deuses mortos (no sentido de que a imagem ficaria falsificada). Peço perdão se inadvertidamente terei sido inexato ou ímpio. A fé religiosa, seja ela qual for, merece-me sempre o máximo respeito. Felizes os que têm uma fé sensata e com ela encontram felicidade na vida.

    A escolha e os agrupamentos de todas as ideias expostas foram arbitrários; procurando também adaptá-los na forma aos nossos tempos; isto no espírito de que é o sentido que interessa, não propriamente a forma, e dado que esta também não se pode já garantir exatamente. Procurei, porém, ter o cuidado de não alterar o sentido no contexto. Que fique bem claro que só considero de minha autoria a grafia que neste texto está em fino, não negrito. Os pensamentos são os dos seus autores. No fim desta página, está a bibliografia consultada. Sublinho a ajuda que encontrei na Internet. Agradeço correções justificadas.

 

 

 

Bibliografia de onde são retirados alguns dos tópicos desta página:

 

As Grandes Religiões do Mundo, autores diversos, e. Editorial Verbo

As Religiões do Mundo, autores Diversos, e. Círculo de Leitores

Enciclopédia Visual e Temática Larousse, e. Seleções Reader’s Digest

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, e. Editorial Enciclopédia limitada

História da Civilização Ocidental, de Edward McNall Burns, e. Editora Globo

História das Religiões, de Charles Frances Potter, e. Edições de Ouro

História Universal, autores diversos, e. Círculo de Leitores

História Universal, de H. G. Wells, e. Livros do Brasil

Jesus no seu Tempo, e. Seleções Reader’s Digest

O Homem que se Tornou Deus, de Gerald Messadié, e. Difusão Cultural

Os Quatro Evangelhos, e. Difusora Bíblica

Religiões do Mundo, de John Bowker, e. Círculo de Leitores

Vidas de grandes Religiosos, de Henry Thomas e Dana Lee Thomas, e. Livros do Brasil

Internet para a religião de Bahá’u’Lláh

Penso Logo Existo, de Pietro Emanuele, e. Círculo de Leitores

História da Filosofia, Direção de François Châtelet, e. Círculo de Leitores

 

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